sábado, 5 de julho de 2008

Especulações Filosóficas sobre Avaliação

Parte 1

Tudo que acredito, minhas opiniões, o que penso, minha forma de ver o mundo, minha forma de ver o outro, são na realidade fruto de um julgamento que fiz a “respeito de” ou de alguém, de uma avaliação que fiz ou faço. Assim percebo, analiso e julgo (mas quem fez isso foi unicamente eu). É assim que funciona.
Isso quer dizer que o que você sente ou imagina ser determinada realidade, e como você a sente, nasce dos seus sentidos, passa pela sua mente e pelo crivo do seu coração (sei que sou romântica), mas não é o retrato fiel da realidade. Do mesmo modo, eu se vivenciar a mesma situação (a mesma realidade), vou julgá-la diferente, pois a percebo diferentemente, sinto diferentemente, logo vou reagir diferente em relação a mesma realidade. Portanto não é a sua, nem tão pouco a minha realidade, a realidade propriamente dita. Nossos julgamentos não são a verdades sobre a realidade. O que temos são nossas representações da realidade, da verdade. Então me pergunto: existirá uma verdade? O que é real? Vamos tornar esse exemplo mais perceptível (se é que isso é possível): num ambiente de trabalho, ou numa relação de amizade, ou em qualquer outro tipo de relacionamento, as pessoas em determinadas situações acreditam que suas percepções sobre o outro diante de determinada situação são verdadeiras. Elas até podem ser, e o são para ela, mas isso de acordo com os seus sentimentos, com sua percepção, e de como ela reage diante da situação. Posso até inferir que numa representação há muito mais daquele que a elabora do que da própria realidade.
Quando aparece uma pessoa contrária ou com um pensamento apenas diferente, mas que ela acredita como verdadeiro, e também o é para ela. A situação torna-se efervescente.
O que fica eminentemente claro é o conflito que se institui para o estabelecimento de uma ou outra verdade (representações). E assim retornamos a mesma questão: Haverá verdade? O que é real?
Acredito que sim, existe uma verdade, porque há sempre uma mesma realidade agindo sobre ambos os expectadores/atores.Deste modo pode haver sempre uma representação que se aproxime mais dessa realidade.
Se há um real, uma realidade, logicamente há uma verdade, que nada mais é que a representação ‘pura’ desta realidade. Será possível se chegar a ela? Não sei se quando a buscamos, mas ela prevalecerá (isso é histórico) e principalmente as representações que mais se aproximem dela, pois todos os pontos estarão à convergir coerentemente para o real.
O que nos resta diante de uma situação de conflitos de representações é tentar entender que na realidade nosso conflito não está no outro, mas em nós mesmo em relação à realidade e nossa maneira de agir e reagir diante dos fatos, e pior, sofremos quando tentamos fazer com que nossas representações distorcidas da realidade se configurem como sendo a realidade. O outro com seu pensar e juízos diferentes, a todos os momentos nos instiga a refletirmos sobre nossos pensamentos e nossos juízos, logo ele existe a nosso favor e não contra nós. Resta-nos a busca pela verdade, que nada mais é que a compreensão da realidade. E sofremos mais ainda, quando percebemos que a realidade não é bem o que queremos e como queremos. Resta-nos a resignação e a humildade.
Eu quase ia dizendo que o outro também sofre, mas engano meu e engano seu se pensou isso. Se o outro é o que tem a representação que mais se aproxima da realidade, no conflito e tentando estabelecer a sua representação, ele aprimora sua percepção, sua análise e julgamento, e estando num pensamento convergente com a lógica da realidade, ele só se fortalece, aprimora e cresce.
Temos é que estar sempre alertas em nossas representações, em nossos julgamentos, reavaliando e sendo flexíveis a mudanças, acreditando e desacreditando do que pode ser, e do que não pode ser.
É... diriam alguns “uma coisa é uma coisa , outra coisa é outra coisa”, então digo eu “uma coisa é uma coisa, mas pode ser outra coisa dependendo de quem olha, mas a coisa per si será sempre a coisa”.
Jacqueline Borges de Paula[1]
[1] Mestranda pela Universidade Federal de Mato Grosso-
Instituto de Educação.
Orientadora Profª Drª Marta Maria Pontin Darsie.

Nenhum comentário: