terça-feira, 11 de agosto de 2009

A Educação Como Ópio Do Povo

Nos primeiros anos da vida escolar, fora aprender a ser um bom
cidadão, a criança tem - ou deve - aprender MESMO três coisas
fundamentais: ler, escrever e fazer as quatro operações. Fora
disto, se possível, é bom que ela aprenda regra de três simples
para saber desenhar o caminho de volta pra casa. Ela tem que
aprender a ler e escrever como quem respira. O resto é currículo!

Não adianta querer que uma criança assimile o anacrônico ensino,
ministrado ainda hoje em grande parte do país, se ela não domina
os códigos de acesso aos conteúdos deste ensino. Por esta razão,
tenho repetido, sem parar, que "ler é mais importante do que
estudar".

A escola não foi feita para punir nem para exemplar ninguém. Ela
foi feita para preparar o homem para a vida futura. E para a
felicidade. Criança não precisa associar aprender a sofrer; não
precisa, por exemplo, angustiar-se com coisas do tipo tensões das
provas finais.

Esta é outra questão importante a ser contemplada nas reformas
com que sonho. A promoção do aluno é problema da escola. A escola
é que deve acompanhar o aproveitamento da criança como uma
clínica moderna acompanha seu paciente. Há fichas para isto -
para a anamnese escolar - e breve haverá computadores para todas
as escolas. Pais e mães se assustam com esta discussão. Quanto ao
ensino, o lar também terá que ser reformado.

Esta é uma longa discussão que não pode ser adiada.

O professor brasileiro - ou a professora - é um herói mal pago e,
em geral, abandonado. A culpa não é diretamente sua,
principalmente, não é da nossa pobre e eterna professora
primária. Se não tivesse pai nem marido, não haveria ensino
fundamental no Brasil!!! Pobre do país que precisa de heróis. De
todo modo, é através do interesse de grande parte do professorado
deste país - de sua experiência e dedicação - que as reformas
começam a ser exigidas e trabalhadas.

Algumas décadas vão-se passar até que todos os nossos professores
e professoras estejam aptos a trabalhar com esta sonhada escola
nova.

Há, porém, uma solução importante ao nosso alcance: o
monitoramento. Foi em Minas, há algumas décadas, que Helena
Antipoff, grande educadora, discípula de Claparede, fez - com
lágrimas e ranger de dentes - uma revolução no ensino primário,
criando a figura da orientadora, uma jovem quase missionária que,
preparada na sua Escola da Fazenda do Rosário, era mandada
para o interior do estado, para atualizar as velhas mestras da
palmatória e da vara de marmelo.

O mundo mudou mais ainda e agora precisamos de uma escola para o
século 21. Vamos ter que transformar a educação em religião!!!

ZIRALDO

Contribuições:
Nerci Valter Amaral
Professor Formador
CEFAPRO/ Rondonópolis - MT

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